Programa · IX Controle difuso nos tribunaisUFRGS · DIR03027 · 2026/2

Controle difusonos tribunais

A reserva de plenário, o incidente de inconstitucionalidade e a repercussão geral organizam etapas diferentes do controle constitucional nos processos comuns.

Leitura≈ 8 min
AntesAula 35 · ADI estadual
DepoisÍndice · Fim do programa
QuestãoQuem decide a questão constitucional no tribunal?

Uma câmara pode afastar a lei por inconstitucionalidade?

O julgamento começa no órgão fracionário, mas a Constituição reserva a declaração de invalidade ao plenário ou órgão especial, salvo exceção.

Pergunta de procedimentoO órgão fracionário precisa declarar a lei inconstitucional? Verifique se o próprio tribunal ou o STF já decidiu a questão; se não, instaure o incidente e observe a reserva de plenário.
  1. A questão constitucional aparece no casoO relator ou órgão fracionário delimita a norma cuja validade é relevante para resolver o recurso ou processo.
  2. Se rejeitar a alegaçãoO julgamento pode prosseguir no órgão fracionário. A reserva do art. 97 alcança declaração de inconstitucionalidade, não exige envio sempre que a parte suscita a questão.
  3. Se pretender acolher a alegaçãoO órgão fracionário submete a questão ao plenário ou órgão especial pelo incidente dos arts. 948 a 950 do CPC, salvo pronunciamento anterior aplicável do plenário ou do STF.
  4. Aplicada a tese, o caso retornaO órgão competente resolve a questão constitucional; depois, o órgão fracionário aplica a orientação ao caso concreto e decide o restante.

A Súmula Vinculante 10 também veda que órgão fracionário, embora sem declarar expressamente a inconstitucionalidade, afaste a incidência total ou parcial de lei ou ato normativo por fundamento constitucional, contornando a reserva.

O incidente organiza a deliberação

A arguição é apreciada antes do mérito do caso quando sua solução depende da validade constitucional da norma.

Art. 97 e CPC

Nos tribunais, somente pelo voto da maioria absoluta dos membros do plenário ou do órgão especial se declara a inconstitucionalidade. O incidente pode surgir por arguição das partes ou do Ministério Público e também ser suscitado pelo relator. O órgão fracionário ouve as partes e o Ministério Público: se rejeita a arguição, julga o caso; se acolhe a relevância da questão, remete-a ao plenário ou órgão especial. Podem se manifestar pessoas jurídicas responsáveis pela edição do ato e outros órgãos ou entidades admitidos. O plenário resolve a questão constitucional; o órgão fracionário julga depois o pedido e os demais pontos do processo.

Não se instaura novo incidente quando o plenário do próprio tribunal ou o Plenário do STF já se pronunciou sobre a questão constitucional pertinente. A exceção depende de correspondência real entre norma, parâmetro e fundamento.

Repercussão geral

É requisito de admissibilidade do recurso extraordinário: o STF seleciona questão constitucional com relevância econômica, política, social ou jurídica que ultrapasse os interesses subjetivos do processo. A Constituição exige manifestação de dois terços dos membros do STF para recusar repercussão geral; por isso, sem esse quórum negativo, ela é reconhecida.

Reconhecida a repercussão, recursos representativos podem ser selecionados e processos sobre a mesma questão suspensos. Depois do julgamento do STF, os tribunais de origem aplicam a tese, fazem juízo de retratação quando cabível ou mantêm a decisão com a justificativa prevista no CPC. A parte que perde continua sujeita aos meios recursais próprios; a reclamação para garantir a observância de acórdão em repercussão geral só cabe se as instâncias ordinárias tiverem sido esgotadas e o ato questionado estiver manifestamente em desacordo com o precedente qualificado. Isso não transforma o STF em terceira instância para rever fatos nem se confunde com incidente de inconstitucionalidade ou súmula vinculante.

Três mecanismos vinculam de modos diferentes

Repercussão geral resolve temas em RE; súmula vinculante condensa entendimento reiterado; reserva de plenário protege a forma colegiada de declarar invalidade.

Repercussão geral

O STF julga a questão constitucional em recurso extraordinário e fixa tese para casos equivalentes, dentro da sistemática de precedentes e recursos repetitivos.

Súmula vinculante

Após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, o STF pode aprovar, revisar ou cancelar súmula por dois terços de seus membros. A súmula pressupõe controvérsia atual entre órgãos judiciais, ou entre estes e a Administração, capaz de gerar grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos. Publicada, vincula os demais órgãos do Judiciário e a Administração direta e indireta nas esferas federal, estadual e municipal.

Reclamação pode ser cabível contra ato que contrariar, negar vigência ou aplicar indevidamente súmula vinculante. Se o ato for administrativo, é preciso esgotar primeiro as vias administrativas. Súmula vinculante é um enunciado aprovado em procedimento próprio; repercussão geral é uma técnica de julgamento de recursos extraordinários, ainda que as teses de RG também orientem julgamentos posteriores.

Exemplo trabalhadoEm apelação, uma câmara considera que a lei estadual aplicável viola a Constituição e pretende afastá-la. A questão é relevante para resolver o recurso. O relator ou uma parte suscita o incidente; o colegiado ouve as partes e o MP. Como não há pronunciamento anterior pertinente do plenário do tribunal nem do STF, a câmara remete a questão ao órgão especial. Este delibera sobre a constitucionalidade pela maioria absoluta de sua composição. Resolvida a questão, a apelação retorna à câmara, que aplica o entendimento ao caso. Se houver RE, o STF verifica primeiro os pressupostos do recurso e a repercussão geral; reconhecida, a tese alcança casos equivalentes segundo o CPC. Isso não cria súmula vinculante: para esse enunciado autônomo, o STF precisa de reiteradas decisões constitucionais, controvérsia atual com insegurança jurídica e multiplicação relevante, proposta admitida e quórum de dois terços. Não se usa um mecanismo para dispensar requisitos do outro.

Recupere sem olhar

Responda antes de abrir a resposta.

Qual quórum negativo a Constituição exige para recusar repercussão geral?

Votos de dois terços dos membros do STF; se não houver esse quórum para negar, a repercussão geral é reconhecida.

Qual quórum o art. 97 exige?

Maioria absoluta dos membros do plenário ou do órgão especial para declarar a inconstitucionalidade.

O órgão fracionário precisa remeter toda alegação constitucional ao plenário?

Não. A reserva incide quando pretende declarar a inconstitucionalidade; se rejeita a alegação, prossegue no julgamento. Também há exceção se já existe pronunciamento pertinente do plenário do tribunal ou do STF.

Repercussão geral e súmula vinculante são a mesma coisa?

Não. A primeira é filtro e técnica de julgamento de RE; a segunda é enunciado aprovado pelo STF por quórum próprio após reiteradas decisões constitucionais.

O que a SV 10 impede?

Que órgão fracionário afaste a incidência de lei por fundamento constitucional sem observar a reserva de plenário, mesmo sem declarar formalmente a inconstitucionalidade.