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Metodologia jurídicaCaderno de problemas

Entre o texto
e o caso.

Uma palavra pode parecer clara. Até encontrar uma situação que não cabe tão facilmente nela.

Ler → perguntar → justificar.
Não pular a última parte.

Exercício inventado · não é lei vigente

Uma placa na entrada.

PROIBIDA A ENTRADADE VEÍCULOS quais veículos?

Um parque tem essa regra. Uma pessoa chega de bicicleta. Outra utiliza uma cadeira de rodas. Um veículo de emergência precisa entrar.

A palavra é a mesma. As situações pedem razões diferentes.

O exercício não procura adivinhar uma resposta oficial. Procura tornar visível o caminho entre uma formulação geral e uma decisão sobre o caso.

InterpretaçãoTexto / contexto / finalidade
01 / COMEÇAR PELO TEXTO

O que a palavra
permite dizer?

O uso da palavra “veículo” oferece um ponto de partida. Ainda é preciso examinar seu sentido no contexto da regra. Uma definição isolada não resolve, por si, todos os casos.

02 / RECONSTRUIR O PROBLEMA

Que situação
a regra organiza?

A placa protege o silêncio? A segurança de quem caminha? O piso do parque? Essas são hipóteses de finalidade: precisam de apoio no contexto, não apenas da preferência de quem interpreta.

Se a finalidade muda, a justificativa também muda. O que sustenta a finalidade que você escolheu?

03 / EXPLICITAR AS RAZÕES

Da resposta
ao argumento.

Uma conclusão precisa enfrentar o texto, os fatos relevantes e as normas aplicáveis. Considerar a finalidade não significa ter liberdade para ignorar esses limites.

Na aplicação da lei, o art. 5º da LINDB orienta a consideração dos fins sociais e do bem comum. Ele não fornece uma solução automática para esta placa fictícia.

DESDOBRAR A COMPARAÇÃODuas leituras da mesma bicicleta.
Hipótese A / silêncio

O ruído é o problema.

Se houver apoio para essa finalidade, a ausência de motor pode ser relevante para a bicicleta. Mas é preciso explicar como essa leitura se relaciona com a amplitude da palavra escrita.

Hipótese B / circulação

O risco é o problema.

Se o contexto mostrar preocupação com colisões, a velocidade e o fluxo de pessoas ganham peso. A ausência de motor deixa de ser uma razão suficiente, sozinha.

O objeto não mudou. Mudaram as razões consideradas relevantes. Para concluir, faltam dados sobre a regra e o parque — e é melhor reconhecer essa falta do que inventá-los.

A cadeira de rodas e a emergência exigem outros argumentos.
Uma resposta para a bicicleta não resolve tudo.